Brasil, pleno emprego (me engana que eu gosto!)
By João Marcos Rainho On 24 Jan, 2013 At 12:23 AM | Categorized As Jornalismo Freelance | With 1 Comment

De vez em quando encontramos em diversas mídias ufanismos do pleno emprego brasileiro.  Olhando rapidamente os principais sites de ofertas de emprego parece que sobra vagas pelo ralo. Somente o Catho, um dos maiores desses sites, diz que tem 280 mil vagas para você amigo desempregado que está sem emprego porque quer ou porque não tem qualificação ou resolveu tirar um período sabático!  Busquei “jornalista” em São Paulo  no site da Catho e apareceram 29 vagas hoje (data deste post) – a maioria com salários anunciados inferior ao piso profissional. Aí fui checar quantos currículos (pagos) de jornalistas paulistas tem no site: 4.448. Ué, como pode? Faça a pesquisa com qualquer outra profissão. Vamos ver a profissão badalada na mídia hoje, a de engenheiro civil, nesse boom da construção civil na Era da prosperidade brasileira: 4.879 currículos. Caramba, tem mais engenheiro civil procurando emprego no estado-paraíso São Paulo do que jornalista!! E quantas vagas para engenheiros? 374 vagas. E o boom do pré sal? o boom imobiliário? Claro, devem ser empregados buscando maiores salários que deixam seus curriculos nos sites pagos.

Na Argentina, outro próspero país do pleno emprego, a população  percebeu a manipulação dos índices oficiais de desemprego do governo e foi pra rua. Nenhum jornal chapa branca, amarela, vermelha ou preta, cai na republicação de índices oficiais (de qualquer coisa), e nenhum colunista portenho ou profissional de RH ou palestrante motivacional alimenta a farsa dos números de desemprego. É considerada uma ofensa.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6.3% no final de 2012. Pelo IBGE. O Dieese diz que está próximo aos 10%. A diferença é abismal. O site do Instituto Ludwig Von Mises Brasil (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1471) publica interessante análise sobre os índices de desemprego brasileiro com base em outubro de 2012 (5,3%, IBGE; 10,5%, DIEESE).  A do IBGE nos coloca em igualdade com a Suíça. O número do DIEESE nos coloca mais próximos da crise da Espanha. O problema, sabemos, está na metodologia (que não é um mero acidente, e sim uma escolha). Para o IBGE, o trabalhador que faz bico sem carteira assinada está empregado. O trabalhador precário que recebe menos que o piso ou o salário mínimo, também está empregadíssimo. Se o desempregado procura emprego a mais de seis meses ele some do índice de desemprego. Quem abre uma empresa, uma MEI, por exemplo, pode não ter trabalho, mas agora é um empresário e evidentemente não estará mais nos indicadores do IBGE.

Na Europa acontece o mesmo. Quem disse que Portugal é um paraíso para o emprego? Para os indicadores oficiais europeus, os portugueses tem muito menos desemprego que os espanhóis. Cheque nos sites de busca de emprego portugueses e depois me avise.

O Leandro Roque, no site do Ludwig dissecou os números do IBGE e cruzou com outras fontes que trazem número de pessoas desocupadas no Brasil, pessoas que fazem bico e ganham menos que um salário mínimo, etc e chegou no quadro abaixo (desemprego em outubro de 2012 em 21,4%):

taxa desemprego

A Organização Internacional do Trabalho (que trabalha com dados oficiais) diz que nos próximos dois anos o Brasil terá mais de 500 mil pessoas sem trabalho com a previsão de alta na taxa de desemprego de 6,3% (!??) para 6,5% em 2013. A OIT diz que isso é fruto do efeito Robin Wood multinacional: tira-se o emprego do terceiro mundo para melhorar a taxa de emprego nos países líderes econômicos. Nos países ricos, a taxa de desemprego cairá de 8,7% em 2013 para 8% em 2017, enquanto nos emergentes as taxas serão elevadas da média de 5,4% para 5,9%.

Sobre

João Marcos Rainho, jornalista, 25 anos de experiência,especialista em comunicação pública tendo atuado em consultorias da FGV e Instituto Florestan Fernandes.

Displaying 1 Comments
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  1. vilma marins says:

    João Marcos, você está coberto de razão!
    Faço de parte de um grupo de profissionais que está fora do mercado de trabalho, por uma questão de sobrevivência . É o problema da metodologia, conforme você falou e disse. Temos que pagar nossas contas! E como aqui no Rio de Janeiro, o mercado não está p’ra peixe e nem p’ra jornalista , “migrei” para a área da Construção Civil há exatos 12 anos e estou encontrando dificuldades para voltar….

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