Curso Estratégias de Comunicação na Gestão Pública (27/2/13)
By João Marcos Rainho On 8 Mar, 2013 At 10:03 PM | Categorized As Comunicação Pública | With 0 Comments

Resumimos aqui as discussões do curso Estratégias de Comunicação Pública (realizado em 27/2/13), online. Curso ministrado por João Marcos Rainho regularmente nas versões online e presencial no Comunique-se Educação.

 

ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA

Participantes do chat, entre outros:

Thiago Lucas – Chefe de Comunicação da Receita Distrital – DF

Natalia Galbere: Assessora de Imprensa em uma prefeitura do interior de São Paulo.

leonardo sampaio: assessor de comunicação DETRAN – MARANHAO

Fabio Resende: assessor de imprensa da Junta Comercial do Rio de Janeiro

Mariana: assessora da secretaria de Turismo na Prefeitura de Piracicaba,  SP

Cristine Thomas – Jornalista na Assessoria de Comunicação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS, campus de Porto Alegre

Izakeline Ribeiro:  Comecei, neste mês, na assessoria de imprensa de uma das secretarias da Prefeitura de Fortaleza (CE).

Suyane Macedo, assessora na secretaria da Fazenda do DF

Everton Campos.

 

LEI DE ACESSO A INFORMAÇÕES E PORTAL DA TRANSPARÊNCIA

 

Discutimos a respeito da Lei de Acesso a Informações Públicas (LAI) e do Portal da Transparência. Muitas prefeituras estão optando em criar um Serviço de Informações ao Cidadão (SIC) para cumprir essa determinação legal. E esse departamento está se transformando numa ouvidoria, quando não vai para o setor de ouvidoria já existente. O ideal é ficar na Assessoria de Comunicação ou estar próximo a ela, pois é evidente que se trata de uma porta de entrada de relacionamento com o cidadão, cujo conteúdo da sua solicitação deve ser acompanhada pelo pessoal de Comunicação.

 

Leonardo Resende afirmou que no Detran Maranhão a Ouvidoria fica separada da Comunicação. Caso também do Instituto Federal onde Cristine trabalha, está separada da Comunicação, em departamento especial.

E Suyane diz que estão trabalhando pontualmente com a divulgação das informações após a LAI e no Distrito Federal há uma Secretaria de Transparência. Essa solução é muito interessante, por oferecer uma força institucional para o setor com status de Secretaria. Na prefeitura onde atua, Natalia afirma já existir o Portal da Transparência. O mesmo na prefeitura de Piracicaba, segundo Mariana.

 

PLANEJAMENTO

A respeito de planejamento, enfocamos a necessidade das assessorias, departamentos ou secretarias de comunicação atuarem de forma organizada e planejada e não apenas ficar apagando incêndios ou cumprindo ordens. Natália Galbere lembrou que uma dificuldade do departamento de comunicação é gerar uma cultura que pode ser um departamento de planejamento também e não um simples setor de divulgação de notícias. Ela está absolutamente certa. É esse o caminho, mas para isso o (a) assessor (a) deve estar capacitado para saber fazer um planejamento. Não é necessário um diploma específico, talvez um curso iria muito bem. Basta aprender a elaborar um planejamento estratégico, algo que não é simples e nem do senso comum. É preciso conhecer e dominar essa importante ferramenta de planejamento. A palavra “cultura” foi bem colocada pela colega. Denota que planejamento deve se tornar um hábito e deve ter sentido para toda a equipe, além obviamente de produzir resultados mensuráveis, ou detectáveis. Izaqueline, como está começando agora na secretaria, se organiza para o plenejamento. E por enquanto está apenas respondendo o que chega de demanda da imprensa. De fato, não podemos parar tudo para ficarmos somente planejando, o que também vicia por ser muito bom!! Devemos conciliar planejamento e ação. Planejar o futuro e ir trabalhando no presente, atendendo as demandas factuais e ir apagando incêncios.

MÍDIAS SOCIAIS

As mídias sociais são hoje um desafio de transparência nas administrações públicas, como também nas empresas privadas. Natalia afirmou que em sua cidade existe um grupo em rede social que é um termômetro para estar próximo ao cidadão e compreender suas considerações. “Assim o trabalho fica realmente com o cidadão e com o esclarecimento dos gestores”. O grupo que ela se  refere não é da gestão, mas de cidadãos comuns, por isso o filtro não é possível. Esse é um dos focos das mídias sociais que podem trazer proveito para a administração pública. Esse acompanhamento do comunicador nas mídias sociais também como um expectador e as informações que recebe diretamente dos posts do cidadão devem ser discutidas com os gestores e gerar transformações nas políticas públicas. Temos aí uma nova e independente ouvidoria, com reclamações públicas em sites e blogs públicos. O que também pode ser incentivado dentro dos blogs oficiais dos governos, como já acontece em algumas localidades. A questão é saber como monitora-lo e controla-lo sem caracterizar censura.

“Nas redes da Fazenda-DF deixamos a maior parte das críticas, excluindo apenas as ofensas e ironias caluniosas”, informou Suyane. Esse é o modelo que está se impondo. Alguns blogs governamentais  lamentavelmente deixam tudo postado, inclusive ofensas, sem nenhum tipo de monitoramento, em nome de uma discutível liberdade. Seria o mesmo que deixarmos vândalos pichar a parede externa do prédio de uma instituição pública e não apagarmos a pichação.

Everton questionou como conduzir pra não deixar a mídia social se tornar reforço de protesto. É uma pergunta interessante cujas respostas ainda estão sendo construídas. Em minha opinião, depende da cultura local e do nível de abertura que o governo realmente está disposto a fazer. Inclusive concessões a grupos de oposição. Evidentemente, toda oportunidade de discussão democrática pode predispor a discussões polarizadas. Antes de ser um risco, é assim que a democracia funciona. Faz parte do jogo democrático. Evidentemente, deve-se ter o cuidado e o bom senso de saber lidar com sabotagens. Jogo de cintura e boa condução de discussões públicas são as novas capacitações para quem lida com mídia social.

Suyane Macedo disse que “conectamos o trabalho das redes sociais à ouvidoria e agência remota de atendimento. E está dando certo”. Sem dúvida, devemos encarar a mídia social como uma ouvidoria. Muitas ouvidorias de empresas hoje tem essa ferramenta eletrônica na net. Talvez seja por aí o caminho. Cristine afirmou que monitora redes sociais, blogs, ouvidoria. É essa a função da comunicação. Acompanhar o que está acontecendo em todos os canais sociais e institucionais, formais e informais. É a matéria prima de nosso trabalho e alimento de nosso planejamento Cristiane lembrou que, como instituição de ensino público o termômetro oficial é a avaliação  institucional. Mas também há os meios informais por meio dos quais obtemos retorno da sociedade e dos públicos de relacionamento (servidores, alunos e comunidade em geral). Bem colocado! As mídias sociais são sim instrumentos de avaliação. E o melhor, não tem uma metodologia possível de ser manipulada pelo gestor. Está totalmente na mão do cidadão, dos funcionários, dos alunos.

Leonardo disse que o Detran em sua região ainda não tem equipe suficiente para entrar nas redes sociais mas temos isso como meta. Ótimo que tenham esse cuidado. É preciso realmente ter equipe específica e capacitada para respostas rápidas e adequadas. Guardada as devidas proporções, é quase o mesmo treinamento de um operador de telemarketing, ou melhor, de um ouvidor que atende o telefone da população. Ele deve pensar rápido e responder rápido, de forma adequada e institucional. Não é fácil.

 

GOVERNO X ESTADO

Para quem trabalhamos, para o governo ou para o estado? Para o chefe eleito ou para a instituição? Constitucionalmente o comunicador público trabalha para o estado, para a instituição pública e não para o governante – relevando evidentemente o respeito as determinações de seu programa de governo e de sua posição institucional de liderança. Não somos marketeiros, não fazemos comunicação para a imagem pessoal do prefeito, do governador, do secretário, etc. Essa é uma confusão comum em virtude das equipes mistas de assessores independentes e de assessores ligados e indicados dos políticos. As vezes a convivência é profícua, outras vezes não.

A visão dos partidos sempre é de Governo e não de Estado, opinou Suyane. Esse é um vício político que é difícil de modificar. Mas felizmente não é mais a posição dominante no meio político. Os políticos sabem disso, e as vezes fingem não entender. Tal visão, conforme lembrou Suyane, prejudica iniciativas de longo prazo.  Acaba com planejamentos, pois a cada eleição irá mudar as prioridades, o que não deveria acontecer.

 

PERFIL DO ASSESSOR

É possível estabelecer um perfil do comunicador público? Evidentemente sim. E diferenciará pelo tipo de órgão que trabalha e a cultura local. O perfil é o atendimento ao interesse público, missão constitucional do assessor. Suyane lembra que em sua realidade, tem o ritmo de assessorias privadas, o que incomoda um pouco os servidores. Problema de timing. De fato, mas não se pode generalizar, a busca de objetivos que os assessores privados buscam é uma influência positiva no trabalho focado em resultados, que muitas vezes não existe em assessorias públicas acomodadas. Entretanto, mais que ritmo, devemos lembrar que na área privada a pressão é pelo resultado do lucro. E é assim que as assessorias externa focam o seu resultado de comunicação. Não podemos ter essa contaminação na área pública. É questão de timing sim, como lembrou a Suyane, mas os objetivos devem ser bem diferentes. O que não pode é o assessor público ser subjugado pela opinião e modelo do assessor externo contratado, como infelizmente temos visto em algumas administrações. Se confunde e se inverte a relação contratante-contratado.

Suyane, servidora comissionada, tem solucionado esse dilema com o envolvimento e a participação do servidor de carreira nos resultados. Perfeito. Envolver as pessoas no planejamento, no processo e no resultado. É isso o que manda o verdadeiro planejamento estratégico, sempre participativo. Se não for assim não funciona.

Natalia Galbere  disse que é comissionada e entrou no cargo público apenas nessa gestão. Antes eu trabalha em agência de comunicação. Um ponto positivo, segundo ela, é que, no seu caso, a equipe dos cargos coordenadores e diretores estão muito dispostos a compreender o novo ritmo do departamento de comunicação que até então era apenas para divulgação de releases. Com certeza a Natalia está no caminho certo e sem trabalho e de sua equipe será bem sucedido. Mesmo sabendo que o serviço público tem um ritmo mais lento que uma assessoria externa. É uma questão de adaptar modelos.

 

ORGANOGRAMA

Não existe um modelo ideal de onde a área de comunicação se encaixa no organograma do serviço público e depende muito da realidade local e do tamanho do órgão. De qualquer forma, recomendo que não esteja alinhado com outros departamento ou secretaria. Como se o secretário de comunicação fosse um igual ao secretário de outras pastas. Apesar desse modelo dar força política, orçamentária e institucional, a área de comunicação assessora todas as demais áreas do governo. Por isso deve ter uma posição real de assessoria, ligada ao gabinete da presidência, do prefeito, do governador… Everton lembrou bem que a Secom deve permear as outras áreas. Leonardo disse que é ligado diretamente ao gabinete do diretor geral o que facilita muito. E facilita mesmo. Deve participar do centro das decisões. No caso da Natalia, ela responde ao chefe de gabinete e tem acesso total ao Prefeito, à Câmara e a todos os departamentos. Izakeline Ribeiro afirmou que Fortaleza tem dois assessores do gabinete do prefeito e eles coordenam os assessores de todas as secretarias. Exatamente. Podemos ter assessores em outras secretarias, em outros departamentos, mas todos devem estar centralizados  hierarquicamente com algum chefe geral da comunicação. Questão não apenas de alinhamento de discurso, mas questão operacional mesmo, de fazer a máquina de comunicação funcionar no mesmo ritmo.

Mariana, de Piracicaba, disse que é comissionada da secretaria de Turismo, mas trabalha em conjunto com a SECOM da Prefeitura. “Outras secretarias também tem seus assessores, e realizamos reuniões com o Chefe da Comunicação para estarmos sempre alinhados”. Perfeito. Percebam que não é uma questão de centralização hierárquica. É questão de adequação de planejamento e questão operacional. Como disse bem Suyane Macedo: “Aqui no DF somos independentes da Secom, porém interdependentes”. Natala concordou: “É de extrema importância, pois em comunicação tudo mudo muito rápido, além de sermos apoio de todos os departamentos e por conta disso precisamos de um conhecimento bastante abrangente”.

Parabéns ao excelente grupo de participantes desse curso! Aprendemos sempre juntos!

Abs

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre

João Marcos Rainho, jornalista, 25 anos de experiência,especialista em comunicação pública tendo atuado em consultorias da FGV e Instituto Florestan Fernandes.

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