Trabalho precário na grande imprensa de Porto Alegre

Fabiano Burkhardt elaborou a dissertação de Mestrado “Jornalistas Freelancers – Trabalho precário na grande imprensa da Região Metropolitana de Porto Alegre”, que foi apresentada em julho de 2006 no Programa de Pós-Gradução em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  O mérito do trabalho, além da pesquisa (amostragem pequena, com 18 jornalista, mas com bom aprofundamento), é contextualizar o jornalista no universo dos trabalhadores e da precarização das condições de trabalho no Brasil. Muitos jornalistas não se consideram “trabalhadores” e sim intelectuais. Esse desvio de personalidade profissional sempre prejudicou a organização coletiva da classe, que resultou na recente desregulamentação profissional.

Porto Alegre enfrenta uma situação peculiar no trabalho dos frilas, conforme aponta Fabiano: o monopólio da rede RBS e do fechamento de inúmeras sucursais de jornais e revistas nas últimas décadas. Isso dificulta a atividade empreendedora, onde o jornalista fica a mercê do poderio econômico do contratante e não consegue impor preços e condições de trabalhos satisfatórios.

Este trabalho é uma tentativa de reconstituir as atividades profissionais de um grupo de jornalistas free-lancers da Grande Porto Alegre, com o objetivo de identificar as condições de trabalho e as perspectivas de resistência dos modernos trabalhadores flexíveis da imprensa regional. Na década de 1990, o jornalismo free-lance difundiu-se em todo o país, especialmente com o fechamento de sucursais de jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo em outras capitais brasileiras e a contratação de free-lancers para as vagas dos profissionais demitidos nesse processo. O free-lancer, que no passado era visto como um outsider, tornou-se figura cada vez mais presente nas redações jornalísticas da Região Metropolitana de Porto Alegre. Esse fenômeno está associado ao processo de reestruturação produtiva, que ganhou fôlego no Brasil na década de 1990, e ao surgimento de um novo modelo de acumulação capitalista em substituição ao fordismo. Para os trabalhadores – e profissionais qualificados, como os jornalistas, não constituem uma exceção –, freqüentemente as mudanças na gestão nas empresas e a flexibilização dos contratos de mãode- obra resultam em deterioração das condições de trabalho e menor segurança no emprego, o que compromete também sua capacidade de organização coletiva. A pesquisa que fundamentou este trabalho consistiu de 18 entrevistas com jornalistas free-lancers da Região Metropolitana de Porto Alegre. A partir de seus depoimentos acerca de sua atividade profissional, procedeu-se à elaboração de uma tipologia do jornalismo free-lance praticado na região e à análise das condições objetivas de trabalho desses profissionais, enfatizando aspectos como renda, jornada e local de trabalho, repouso e percepção da atividade sindical. Quanto a este último aspecto, a pesquisa procurou investigar as possibilidades coletivas e individuais de resistência dos trabalhadores aos processos de reestruturação produtiva em curso atualmente na imprensa do Rio Grande do Sul.

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