Sindicato britânico critica trabalho freelancer

 

Observatório da Imprensa

23/11/2005 na edição 356

 

De acordo com pesquisa feita pela União Nacional dos Jornalistas (NUJ, sigla em inglês) britânica, jornalistas freelancers recebem cerca de US$ 43 a US$ 55 por artigos de mil palavras. O resultado da pesquisa levou o sindicato a condenar o regime de trabalho a que se submetem estes profissionais, noticia Helene Mulholland [The Guardian, 18/11/05].

No ano passado, a NUJ havia denunciado os baixos valores pagos a jornalistas de jornais locais e regionais. Mas a nova pesquisa mostra que os freelancers também se encontram em má-situação; muitos deles vêm recebendo o mesmo valor ao longo da última década.

O valor médio pago a um jornalista freelancer no Reino Unido é de US$ 34 por dia de trabalho, o equivaleria a um salário anual de US$ 12 mil, sem considerar os gastos extras e supondo que ele tenha trabalhado durante o ano todo. O valor pago a fotógrafos freelancers por meio dia de trabalho no londrino The Times, por exemplo, foi reduzido em US$ 8, enquanto no Daily Telegraph este valor aumentou apenas US$ 17 em uma década. No mesmo período, o valor no Guardian teria aumentado US$ 25.

Além disso, muitos diários não pagam despesas com gastos adicionais – jornalistas freelancers têm de contar com os chamados “custos invisíveis”, como despesas com transporte, equipamento, além de gastos com alimentação e saúde. Muitos têm de batalhar para conseguir trabalho diariamente. A NUJ estima que um freelancer trabalhe em média 200 dias por ano.

O secretário-geral do sindicato britânico, Jeremy Dear, afirma que é hora de acabar com o trabalho freelancer. “A maneira como os freelancers trabalham é desprezível. A NUJ vai colocar a situação destes profissionais como prioridade para pôr fim a esta exploração. Não vamos tolerar que profissionais sejam mal pagos para fazer um trabalho qualificado”, afirmou.

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