Trabalho Escravo em crescimento

Comissão Pastoral da terra divulgou dados parciais dos Conflitos no Campo Brasil de janeiro a setembro de 2011. Além da questão dos assassinatos por posse de terra, água, violência no campo, e o avanço da pistolagem que cresce assustadoramente ( Este número cresceu de 38.555 pessoas, em 2010, para 45.595, em 2011. Um aumento de 18,2%), o  que mais chama a atenção no período de janeiro a setembro é o trabalho escravo, que apresentou significativo crescimento no número de ocorrências. Foram registradas 177 denúncias em 2010, envolvendo 3.854 pessoas e no mesmo período em 2011 as ocorrências chegaram a 218, envolvendo 3.882 pessoas, 23% a mais no número de ocorrências.  Merece também atenção o fato de as ocorrências de trabalho escravo terem aumentado em todas as regiões do país, menos no Norte, que mesmo assim continua com o número mais elevado, como se pode observar pela tabela abaixo:

É de se destacar que a região Centro-Oeste concentrou o maior número de trabalhadores submetidos a condições de trabalho escravo, quase 50%, 1.914, do total de 3.882. O Mato Grosso do Sul foi o estado que apresentou o número mais elevado, 1.322, 34% do total de pessoas envolvidas. Goiás vem em segundo lugar no número de trabalhadores escravizados, 483, só depois é que vem o Pará com 380. Proporcionalmente, porém, o Nordeste é que apresentou crescimento mais destacado, passou de 19 para 35 ocorrências, um crescimento de 84%.

O estudo não trata do trabalho escravo urbano, o que mais cresce!. Vejam os últimos casos da Zara, e de outras grifes de lojas de departamentos. Além disso existe o trabalho escravo tolerado dos vendedores, que trabalham sem salário, somente pelo resultado, e que turbinam o quadro da precarização. O Sindicato dos Empregados do Comércio de SP chegou a fazer uma manifestação na capital paulista contra vendedores do comércio, que atuam fixos em lojas e não ganham salário. É semelhante a situação do escravo antes da lei Áurea, que só ganhava – comida, roupa e abrigo – se produzia.

Outros profissionais são coaptados por diversas facetas do falso empreendedorismo  – que também leva ao trabalho escravizante – ilutdem-se como o burro correndo atrás da cenoura pendurada na frente dele pelo cocheiro da carroça. O trabalho precário é o primeiro caminho para o trabalho escravo. A precaridade, que atinge várias profissiões, é o embarque no navio negreiro com a promessa de levar a terra prometida… É a escravidão moderna, onde se aprisiona o corpo e a mente com grilhões e correntes ocultas….

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