Stress profissional

A revista Imprensa publicou dia 11/3 entrevista com o pesquisador José Roberto Heloani, da FGV, o qual aponta o aumento da depressão, assédio e cocaína entre os jornalistas. Desde 2002 ele pesquisa a interface entre a profissão e saúde. Suas conclusões são duras, aponta a revista. De dez anos para cá, aumentam entre os profissionais da área as incidências de depressão, infidelidade conjugal e uso de drogas, principalmente, cocaína e anfetamina, além do fenômeno que ele chama de “naturalização do assédio”.  Excesso de trabalho, de jornada, baixos salários, assédio moral e sexual fazem parte do dia a dia da profissão, segundo o pesquisador que denuncia: “essas organizações acabam atuando à revelia da legislação. Ou você começa discutir isso para valer, ou não muda nada. Até porque a nova geração de jornalistas têm, realmente, aceitado qualquer jogo”.

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Esse assunto não é novo e existem outras pesquisas. Você pode ouvir na rádio Câmara dos Deputados entrevista Roberto Heloani, feita em 17 de novembro  de 2010.

Na ocasião, ele afirma que as condições de trabalhos que muitos alienados e coniventes acham que é assim mesmo, estão entre as principais causas de problemas como síndrome do pânico, angústia e depressão e cerca de 80% dos profissionais sofre stress.

O professor da Faculdade de Educação da Unicamp, o psicólogo Roberto Heloani também realizou estudo que avalia a saúde de jornalistas.. “A experiência clínica nos leva a supor que o estresse nesta área advém, sobretudo, do trabalho que faz do jornalismo uma profissão de risco e também de morte precoce”, afirma. “Parte significativa desses profissionais (jornalistas) não alcança sequer a aposentadoria. Além de serem atingidos pela doença da profissão: Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Na internet você pode conferir também a pesquisa acadêmica “O trabalho do jornalista e o estresse profissional: ocorrências de risco de estresse nas fases  de alerta, resistência e exaustão”, realizada por Sérgio Kilesse e Marília Novais da Mata Machado com jornalistas de um  jornal popular de Minas Gerais.

Citando Pereira JR, “os principais fatores de estresse ocupacional do jornalista são, nas redações, as altas demandas de exigências do dia-a-dia de trabalho como as pressões para cumprimento de horários nas pautas de notícias, o curto prazo de tempo para a realização da redação das notícias, a pouca margem de controle e decisão frente aos contratempos, a alta competitividade pelo furo de notícia, a possibilidade de processos judiciais, o reduzido  número de profissionais nas redações, na sua maioria terceirizados”

A revista Imprensa já havia tratado do assunto em 2005, com o mesmo pesquisador e o título “Jornalismo faz mal à saúde”: Os dados são assustadores: grande parte dos coleguinhas sequer chega à aposentadoria. Morrem antes, por doenças ligadas ao estresse.

O jornalismo é uma das poucas profissões universitárias onde se banaliza a questão do stress com o falso conceito que jornadas de trabalho longas fazem parte de sua cultura. Na verdade tal condição mascara um problema sério de precarização que faz vitimas todos os dias na calada do silêncio da submissão e do medo do desemprego – que também são características do stress.

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