Marketing pessoal no jornalismo

A boa estratégia de marketing é ajudar a tornar visível um bom produto ou serviço, ressaltando suas qualidades e atributos intrínsecos que podem não estar sendo percebidos pelo mercado. Ou seja, marketing pressupõe bom produto ou serviço, adequado ao mercado. O marketing pessoal, seguindo esse raciocínio, é a estratégia de dar visibilidade a carreira e aos atributos pessoais. E como isso é feito no jornalismo?  Bem,depende de que jornalismo estamos falando, pois nossa atividade se multifacetou.

O marketing pessoal se banalizou como quase tudo no marketing voltado a distorção de seus princípios. Estudantes de jornalismo e recém formados, havidos por um lugar ao sol dão muita atenção ao seu marketing ao invés de se preocupar com a carreira técnica, aprender, consolidar conhecimentos. Nas mídias sociais vemos muito isso. Profissionais iniciantes deveriam utilizar a rede para trocar conhecimentos, perguntar, tirar dúvidas com profissionais mais experientes. Entretanto, tentam construir uma imagem de ” inteligente”, “antenado”, “experiente”, criando blogs de repetição de regras alheias e mostrando falsa experiência. Isso não engana mais ninguém.

O marketing pessoal preconiza conhecimento da área profissional. Deve ser construído junto e não a frente das habilidades e atitudes.  Aliás, já é uma atitude negativa colocar o carro na frente dos bois. O problema é que a falta de humildade é uma característica do jornalista em qualquer fase da carreira. Nos bancos da faculdade, o aluno “esperto”, procura dar um nó no concorrente buscando estágio nos primeiros meses ao invés de aproveitar a faculdade para estudar. Conclusão, fazem faculdade meia boca , e depois do fim do estágio é o fim da carreira – não entendem a indústria do estágio que é altamente reciclável.

Jornalistas com menos de dois anos postam perfis na mídia social ou apresentam seus currículos como “seniors”.  Pessoas sem diplomas ou diplomas das coxas bradam as facilidades do trabalho freelance, vomitam experiência que na verdade não possuem e relacionam troféus suspeitos de veículos que pretensamente escrevem. Depois de alguns meses não se houve mais falar nesses aventureiros. Eles não incomodam. Esqueça eles e não perca tempo lendo seus “posts”.

O melhor marketing pessoal, ressalto, é o que acompanha a fase real da carreira profissional. Para o freelancer o marketing pessoal é o trabalho de dar mais visibilidade a sua experiência e valorizar o networking. Não tem fórmula ou modelo pronto, vai depender do histórico profissional e de vida de cada um.

É a capacidade de administrar-se a si mesmo, a sua carreira independente.  E é diferente ao profissional de carreira empregado. Currículo não faz sentido para o frila – já que sua carreira não é linear do ponto de vista de empregadores – e sim um perfil como de uma pequena empresa ou de um profissional liberal.

O marketing pessoal deve ser orientado para o mercado, para a expectativa dos contratantes, e não um modelo pirotécnico idealizado na ilusão de fama midiática que o jornalismo as vezes induz aos seus escribas. Deve ser sutil e não publicitário. Vale a rede de contatos, o famoso e costumeiramente distorcido networking. O networking é construído naturalmente durante a carreira profissional e deve ser aproveitado positivamente mantendo-o vivo e não apenas uma relação de pessoas numa planilha, numa agenda, uma relação de emails do outlook, uma penca de fotos de “amigos” na mídia social, ou um telefonema interesseiro quando você precisa de um trabalho.

Para quem já tem o que falar vale a pena estimular sua visibilidade com blogs inteligentes, participação ativa em mídias sociais (e na mídia impressa) trocando idéias com grupos interessantes e não com grupos de pessoas que não tem nada a ver com seu momento profissional. Participação em eventos, cursos, naquela normal estratégia de ver e ser visto. Trocar cartões, fazer novas amizades, reatar amizades perdidas. E prospectar sempre, contatar prospects. Evidentemente antes de tudo deve-se saber quais são seus prospects, qual o seu mercado. Você vende serviços de textos ou de assessoria ou ambos? Quem compra? Como? Onde estão?

Deve-se entender quem é o cliente, o que ele pensa, o que ele procura, quais suas dificuldades e necessidades que você prestador de serviços pretende resolver com seus serviços. A orientação para o mercado e não para si mesmo é a chave do marketing.

Três dimensões do marketing pessoal:

1. Sua personalidade. Sua auto imagem.

2. A maneira como você é percebido no mercado. Sua imagem refletida

3. A visibilidade que procura obter proativamente, com estratégias conscientes de divulgação e networking

4. O conhecimento técnico, formação, experiência e atualização profissional.

O quarto item é o mais importante. É onde começa o marketing pessoal. Sem ele, as 3 outras dimensões não irão funcionar.

A personalidade requer autoconhecimento e atitude para mudar o que não está adequado na sua maneira de ser. A forma com que é percebido no mercado requer feedback das pessoas, amigos, parentes, clientes, parceiros. Essas duas dimensões são de ordem comportamental e costumam nos enganar muito quando nossa autoimagem é superestimada pelo ego. A terceira dimensão é o trabalho de comunicação e venda propriamente dito do pequeno empresário ou profissional liberal, ou freelancer. Um trabalho árduo e constante, reforçado pela qualidade dos serviços prestados cuja opinião que ser estimulada por pedidos de indicações. A credibilidade, a confiança, a postura, o respeito adquirido e a qualidade do serviço percebido pelo cliente tem um valor que deve ser explorado.

A integração desses elementos determina seu marketing pessoal. É o verdadeiro espírito empreendedor, de buscar o mercado e de se aprimorar constantemente. Aprender a se conhecer saber seus pontos fortes e fracos – e fazer algo a respeito – e conhecer a demanda e a oferta do mercado, se ele existir. A oferta e a demanda são leis do mercado, gostando disso ou não, e transgredi-la é estar fora do mercado.

Quando o jornalismo se torna commoditie, com excesso de demanda e pouca oferta, realidade de nosso tempo, a diferenciação não é tanto pela qualidade técnica (que é pressuposto básico) que é encontrado em boa quantidade. A diferenciação é pelos fatores comportamentais do profissional, pela sua sinceridade e pela sua habilidade comercial.

Pesquisas comprovam que o profissional é contratado (como empregado ou prestador de serviços) por suas habilidades técnicas e dispensado na maior parte das vezes pelas suas habilidades (ou falta de habilidade) comportamentais. O comportamento social garante 85% da chance de um profissional conseguir uma boa colocação. Isso não significa mostrar-se o falso bonzinho e alienado das redes sociais. Ter personalidade, defender suas posições fundamentadas sem ser um cagador de regras nem querer impor suas opiniões e não ir conforme a onda do mundo da fantasia que não existe conflitos nem problemas é um atributo de diferenciação.

Entre dos profissionais com qualificações idênticas, vence o que tiver melhor indicação (não aquele falso QI, mas a indicação positiva de mercado) e a melhor facilidade de relacionamento. Ninguém mais tolera trabalhar com gente chata, desleal e mal humorada, seja chefe ou subordinado, cliente ou contratado.

De qualquer forma, os conflitos fazem parte da vida humana, estão e estarão presentes constantemente em nosso dia a dia  e devemos nos acostumar a eles e supera-los.

Finalmente a inteligência comercial é tão ou mais importante que as habilidades técnicas e comportamentais, principalmente para o profissional liberal. Isso não é ensinado na faculdade nem em nenhum curso de fim de semana. É um aprendizado constante impulsionado por nossas necessidades e ativado pela nossa persistência e foco.  Se não soubermos vender nossos serviços, nossa imagem, não existe networking  ou estratégia de marketing que nos ajude. Aí meu colega, vá procurar emprego ou mude de profissão.

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